

Quebradeiras de coco babaçu do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), regional Piauí, realizaram, nesta sexta-feira (06), uma mobilização em Esperantina, no Piauí, com caminhada pelas ruas da cidade, ato público em frente à Delegacia de Polícia Civil e um momento de diálogo no espaço da Câmara Municipal. A atividade integrou a agenda de mobilização das mulheres quebradeiras em alusão ao 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, com o tema “Quebradeiras de Coco Babaçu unidas pela Vida, pelo Território e pelo Bem Viver: Feminicídio Nunca Mais!”, e teve como foco o enfrentamento à violência contra a mulher e ao feminicídio.
A mobilização reuniu quebradeiras de coco babaçu, lideranças comunitárias e representantes institucionais para denunciar a violência de gênero e fortalecer o debate sobre proteção às mulheres nos territórios. Entre as reivindicações apresentadas durante o ato, destacou-se a demanda por mais estrutura no atendimento às mulheres em situação de violência, incluindo a presença de uma delegada mulher no município.
Mulheres nas ruas contra a violência e o feminicídio
A programação teve início com um ato em frente à Delegacia de Polícia Civil de Esperantina, onde as quebradeiras denunciaram a violência contra as mulheres e reforçaram a necessidade de políticas públicas efetivas de proteção.
Durante a mobilização, as mulheres destacaram que a violência de gênero impacta diretamente a vida das trabalhadoras rurais e das comunidades tradicionais, exigindo respostas institucionais que garantam acolhimento e segurança.
Para Marinalda Rodrigues, coordenadora executiva do MIQCB Regional Piauí, a mobilização reafirma o compromisso das quebradeiras com a defesa da vida das mulheres e com a construção de territórios livres de violência.
“Estar nas ruas é reafirmar que as quebradeiras de coco babaçu lutam pela vida das mulheres, pelo território e pelo bem viver. Falar sobre feminicídio e violência é também fortalecer nossa organização e cobrar do poder público políticas que garantam proteção e dignidade para todas nós”, afirmou Marinalda.
Caminhada pelas ruas de Esperantina fortalece mobilização das quebradeiras
Após o ato na delegacia, as quebradeiras realizaram uma caminhada pelas ruas de Esperantina até o espaço da Câmara Municipal, levando faixas, cartazes e mensagens de conscientização sobre o enfrentamento à violência contra a mulher.
A caminhada simbolizou a ocupação dos espaços públicos pelas mulheres dos territórios babaçuais e reafirmou o papel das quebradeiras como protagonistas na defesa da vida, da dignidade e dos direitos das mulheres.
Para Helena Gomes, presidenta da Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu (AMTCOB), a mobilização também representa a força coletiva das mulheres na construção de uma sociedade mais justa.
“Quando as quebradeiras caminham juntas, mostramos que não estamos sozinhas. Nossa luta é pela vida, pelo respeito e pelo direito de viver sem violência. A união das mulheres é nossa maior força”, destacou Helena.
Debate sobre violência contra a mulher no espaço da Câmara Municipal
Após a caminhada, o movimento utilizou o espaço da Câmara Municipal de Esperantina para realizar um momento de diálogo e reflexão sobre a violência contra a mulher, reunindo lideranças, quebradeiras e representantes institucionais.
O encontro abordou diferentes formas de violência física, psicológica, patrimonial, moral e sexual e reforçou a importância de ampliar a informação sobre os direitos das mulheres, incluindo os mecanismos de proteção previstos na legislação brasileira.
O diálogo contou com a presença do delegado da Polícia Civil de Esperantina, Arão Lobão Veras Neto, que acompanhou esse momento com as lideranças e ouviu as demandas apresentadas pelas mulheres.
A professora Carmen Lúcia, que participou do momento de diálogo, destacou a importância de reconhecer os saberes e as experiências das mulheres dos territórios na construção de políticas públicas.
“As quebradeiras de coco babaçu carregam conhecimentos profundos sobre cuidado, território e coletividade. Escutar essas mulheres é fundamental para pensar políticas que realmente dialoguem com a realidade das comunidades”, ressaltou a professora.
Lançamento de livro valoriza memória e saberes das mulheres dos babaçuais
Encerrando a programação, foi realizado o lançamento do livro “As Narrativas e Memórias do Cuidado: as quebradeiras de coco babaçu e as mães palmeiras”, organizado por Adriana Ressoire C., com co-organização de Laira Splinter.
A obra reúne narrativas e reflexões sobre os saberes, práticas de cuidado e experiências das mulheres dos babaçuais, contribuindo para valorizar a memória coletiva e a trajetória de luta das quebradeiras de coco babaçu.
Para a autora Adriana Ressoire, o livro busca reconhecer a centralidade das mulheres na proteção dos territórios e na manutenção das formas de vida associadas ao babaçu.
“As histórias das quebradeiras revelam uma profunda relação entre cuidado, território e resistência. Registrar essas memórias é também reconhecer a contribuição dessas mulheres para a defesa da sociobiodiversidade e das comunidades tradicionais”, afirmou a autora.
Defesa dos territórios, sociobiodiversidade e direitos das mulheres
A mobilização em Esperantina integra as ações do MIQCB voltadas ao fortalecimento da participação política das mulheres quebradeiras de coco babaçu e à defesa de seus territórios tradicionais.
O movimento também reafirma pautas históricas da organização, como a implementação da Lei Babaçu Livre, que garante o acesso das comunidades tradicionais aos babaçuais; a regularização fundiária dos territórios, fundamental para a segurança das comunidades; e o reconhecimento do papel das mulheres na proteção da sociobiodiversidade.
Para o MIQCB, a luta contra a violência de gênero está diretamente conectada à defesa dos territórios e das formas de vida das comunidades tradicionais.
Mulheres dos babaçuais em defesa da vida e do bem viver
A mobilização em Esperantina reforça o protagonismo das quebradeiras de coco babaçu na construção de territórios mais justos, seguros e sustentáveis.
Ao ocupar as ruas, dialogar com instituições e valorizar a memória e os saberes das mulheres dos babaçuais, o movimento reafirma que a luta das quebradeiras está ligada à defesa da vida, da dignidade e do bem viver.
Em um contexto de crescentes desafios sociais e ambientais, o MIQCB segue fortalecendo a organização das mulheres e defendendo justiça climática, direitos territoriais e o acesso livre aos babaçuais.
Fonte — MIQB
